“Poderão acusar-me de que galhofava com Pedro – porém, se o conhecerem a fundo, como eu o conheço, verão que era assim preciso, para lhe ganhar o coração e podê-lo encaminhar ao bem e aos negócios públicos. Por mais sábio e honrado que seja um homem, se ele não souber interessar as paixões e as frivolidades dos grandes, nada poderá alcançar deles para os fins de utilidade pública. É verdade que, apesar de todas as minhas boas manhas, nunca pude conseguir que se quisesse séria e constantemente o bem – alma dura e volátil, nunca fez bem por amor da virtude.”
Uma realização:
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Américo Elísio
Pseudônimo arcádico que José Bonifácio usa como poeta. É um codinome pastoril e patriótico. Em seu único livro de poesias, Poesias avulsas, publicado em 1825, durante seu exílio na França, esse pseudônimo exprime toda uma plataforma literária: o Elísio, território das musas, transplantado para a América. Nitidamente inspirado pelo arcadismo, com seus motivos pastoris, seus amores idílicos, evocativos muitas vezes de cenas gregas, o poeta Bonifácio surpreende, entretanto, com posições estéticas avançadas para a época. Por exemplo em sua justificativa para o uso de versos brancos, sem rima, ao dizer que “a nossa bela língua não precisa, absolutamente falando, do zum zum dos consoantes para fixar atenção e deleitar o ouvido”.